Perícia médica do INSS: o que levar e como se preparar.

Perícia médica do INSS

A perícia médica é a etapa que decide a maior parte dos pedidos de benefício por incapacidade no INSS. É nela que um perito federal avalia se a doença ou lesão realmente impede o segurado de trabalhar, por quanto tempo e com qual grau de comprometimento.

O resultado depende do que o segurado consegue demonstrar em uma consulta curta, com tempo limitado de avaliação. Por isso, a preparação faz diferença direta no desfecho do pedido.

Para que serve a perícia médica do INSS

A perícia é exigida em diversos benefícios:

  • auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença;
  • aposentadoria por incapacidade permanente, antiga aposentadoria por invalidez;
  • auxílio-acidente, devido quando restam sequelas que reduzem a capacidade de trabalho;
  • benefício de prestação continuada para pessoa com deficiência;
  • isenção de imposto de renda por doença grave em alguns casos;
  • pedidos de prorrogação e de reconsideração de benefícios já concedidos.

O perito avalia a incapacidade laboral, considerando a doença, a profissão exercida e as exigências físicas e mentais desse trabalho. 

Uma mesma lesão pode gerar incapacidade para um pedreiro e permitir a continuidade da atividade de um profissional administrativo.

Documentos pessoais que você precisa levar

  • documento de identificação oficial com foto, dentro da validade;
  • CPF;
  • comprovante de agendamento emitido pelo Meu INSS ou pelo telefone 135;
  • comprovante de residência atualizado;
  • procuração e documento do representante, quando houver.

Documentos médicos

Esta é a parte que sustenta o pedido. Vale organizar tudo em ordem cronológica, do mais antigo para o mais recente:

  • laudos médicos com data recente, preferencialmente emitidos nos últimos 30 dias;
  • exames de imagem originais, como radiografias, ressonâncias e tomografias, acompanhados dos respectivos relatórios;
  • resultados de exames laboratoriais;
  • relatórios de cirurgias, internações e altas hospitalares;
  • receitas e caixas dos medicamentos em uso;
  • comprovantes de sessões de fisioterapia, psicoterapia ou outros tratamentos em andamento;
  • atestados de afastamento emitidos ao longo do tratamento.

O laudo médico ideal contém alguns elementos que facilitam o trabalho do perito: 

  • identificação completa do paciente;
  • descrição do quadro clínico;
  • código da doença segundo a CID;
  • tempo estimado de tratamento;
  • limitações funcionais concretas;
  • uma indicação clara sobre a capacidade de exercer a atividade profissional. 

Um laudo que descreve a doença e informa apenas o CID diz muito menos do que um laudo que descreve o que o paciente deixou de conseguir fazer.

Documentos relacionados ao trabalho

  • carteira de trabalho, física ou digital;
  • comunicação de acidente de trabalho, quando o caso envolver acidente ou doença ocupacional;
  • declaração do empregador com a descrição das atividades exercidas;
  • carnês de contribuição, para contribuintes individuais e facultativos;
  • documentos que comprovem atividade rural, para segurados especiais.

A descrição da atividade tem peso na análise. O perito precisa entender o esforço físico, a repetição de movimentos, a exposição a agentes de risco e a carga mental envolvida na função.

Como se preparar para o dia da perícia

Chegue com antecedência de pelo menos 30 minutos. Leve os documentos organizados em pastas separadas por tipo, com cópias que possam ser entregues. Guarde os originais.

Durante o atendimento, descreva os sintomas com objetividade, informando quando começaram, com que frequência aparecem e o que eles impedem no dia a dia. 

Frases concretas ajudam mais do que descrições genéricas. Por exemplo, informar que a dor impede permanecer em pé por mais de 20 minutos comunica melhor do que dizer que a dor é forte.

Responda ao que for perguntado com precisão. Exageros e omissões prejudicam a credibilidade do relato e podem comprometer o resultado.

Se o quadro envolver saúde mental, leve relatórios do psiquiatra e do psicólogo, com histórico de medicação, internações e crises registradas.

Análise documental sem perícia presencial

Parte dos pedidos de auxílio por incapacidade temporária pode ser analisada por documentos médicos, sem exame presencial, dentro das regras e dos limites de prazo definidos pelo INSS. 

Nessa modalidade, o atestado precisa conter dados completos: 

  • identificação do profissional com registro no conselho de classe;
  • data de emissão;
  • CID;
  • prazo estimado de afastamento;
  • assinatura.

Um atestado incompleto costuma resultar em indeferimento ou em conversão para perícia presencial, com nova espera.

Alta programada e pedido de prorrogação

Quando o benefício é concedido, o INSS fixa uma data de cessação. Se ao chegar perto dessa data o segurado continua incapaz, é possível solicitar prorrogação nos 15 dias anteriores ao término, pelo Meu INSS ou pelo 135. 

Perder esse prazo significa encerrar o benefício e precisar apresentar um novo requerimento, com nova fila de agendamento.

Quando o pedido é negado

O indeferimento pode ser combatido por duas vias. A primeira é o recurso administrativo ao Conselho de Recursos da Previdência Social, com prazo de 30 dias contados da ciência da decisão. 

A segunda é a ação judicial, na qual um perito nomeado pelo juízo realiza nova avaliação, com possibilidade de discutir a data de início da incapacidade e o pagamento de valores atrasados.

Em ambas as vias, a qualidade da documentação médica continua sendo o fator decisivo.

A VS Advogados atua na área previdenciária e acompanha segurados em pedidos de benefício por incapacidade, análise de laudos, preparação para perícia médica, recursos administrativos e ações judiciais contra decisões de indeferimento do INSS.

Se a sua perícia está agendada ou o seu pedido foi negado, procure orientação com um advogado especializado em direito previdenciário para revisar a sua documentação médica antes da avaliação e definir a melhor estratégia para o seu caso.

VS Advogados

Advocacia Trabalhista

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